sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Os olhos – 2011

E foi durante dias que eu me peguei pensando naqueles olhos. Porque eu mergulhei tão fundo neles e só eu consigo saber a grande dimensão do ‘aquilo’ que vi (para além da dor...). Não ausente dos meus próprios sentimentos, me questionei se ela sabia-se amada. Acho que ela sabia. E ele, será que ele sabia o quanto lhe amava? Isso eu já não tinha a capacidade de descrever. O olhar dele era difícil de analisar. Existia amor, dava para perceber... Havia algo mais, mas eu não entendia. Parei por alguns instantes, perdida por entre aqueles olhares e pensamentos que iam me invadindo sem pausa. Sentia-me intrigada com o olhar dela. Como era possível que alguém amasse tanto? Perto dela meus olhos eram opacos, totalmente desprovidos de cor. Eram vazios demais e sem sentido. Comparação injusta. Os olhos dela. Ah! Os olhos dela... Pareciam tão repletos, tão completamente preenchidos – assim, de maneira mais do que exagerada. Eles eram cheios de vida, dançavam vistos aos meus. Aterradoramente encantadores, a tal ponto de fazer qualquer um que por ela passasse se visse perdido a contemplar. E seu sorriso? Eu ainda não falei de seu sorriso. Interminável. Sim, ela só podia saber-se amada. Ninguém sorri daquele jeito sem ser amado, sem ter a certeza de ser amado. Ele era um bobo perto dela, suas bochechas coravam. Compreensível. Tinha um ar sedutor, não podia acreditar que ela fosse sua. Ela era? Seria um desastre se aquilo tudo não fosse verdade... Não respiravam direito, não havia pontos finais, só vírgulas e mais vírgulas... Tudo sem pausa alguma. Tive que me desviar... Hoje sinto saudade, a sensação foi única...

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