sábado, 19 de novembro de 2011

Cadeiras vermelhas, caneta azul (simbolicamente ao contrario do que eu digo)

Eu olhei o vazio das cadeiras a minha frente. Mil pensamentos se conflitando dentro da cabeça. Nada fazendo muito sentido. O que sentia eu? Por que eu continuava ali sentada observando todas aquelas cadeiras vazias? Eu peguei um papel e uma caneta vermelha (demorei questão de segundos para escolher justo a caneta vermelha; demorei um pouco mais do que o habitual para se escolher uma caneta... mas não importa, escolhi). Olhei aquele amontoado de cadeiras, e é importante salientar, vazias. E comecei a externar, a preencher alguns destes vazios que a gente tem e não ousa tocar; porque a gente é, em parte, também vazio e por mais que isso seja angustiante, acredito demais nesses espaços “ocos” que existem na gente. Estes vazios de nós mesmos são possibilidades, são possibilidades de preenchimento. Pensei como se eu estivesse falando com alguém: Preencha! Preencha esses seus espaços comigo e me deixe preencher os meus com você. Tola! Eu estava sozinha numa sala cheia de cadeiras (vazias). Queria eu falar de quem? Com quem? Ah, como é difícil acreditar que tudo isso é a mais pura verdade. E que eu ainda estou aqui sentada, escrevendo e olhando para estas cadeiras (vazias, sempre vazias). Cadeiras azuis, muitas delas. E eu com uma caneta vermelha na mão. Deve significar alguma coisa, sempre penso que deve significar alguma coisa. Que medo tenho eu das cores e das coisas que falei. Que nenhum psicanalista leia este nada que eu exponho no papel, pois não quero que me interpretem mal, apenas escrevi por escrever... (Como se, eu sendo estudante de psicologia, já não soubesse que até estes meus questionamentos e falhas justificativas já não acarretassem em interpretações e hipóteses diversas...). Termino por aqui. Vou olhar as cadeiras novamente. Sim,continuam vazias. É uma maneira muito estranha de relatar, mas foi assim que aconteceu.

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